quinta-feira, 23 de junho de 2016

Momento Pipoca: Haverá Sangue (2007)


A apendicite aguda que repentinamente me surgiu obriga-me a ficar em casa e a não dar descanso ao sofá... Aproveito para colocar o sono em dia e atualizar a visualização de filmes!

Ontem foi dia de ver "There will be Blood", de Paul Thomas Andersen (Boogie Nights e Magnolia). O filme, de 2007, conta a história de Daniel Plainview (brilhantemente interpretado por Daniel Day Lewis) e da sua busca incessante pela riqueza e pela fama.

A película desenrola-se no final do século XIX / início do século XX e apresenta-nos um retrato fiel dos tempos de pesquisa ávida de recursos no solo, principalmente petróleo, e do jogo de interesses sem escrúpulos que este capitalismo representa.

Neste épico - que é muito mais do que uma história sobre a febre do petróleo - há um conflito psicológico complexo com o espetador e uma reflexão sobre a família, a religião, os valores morais e até onde os mesmos se aguentam quando degradados pela corrupção, ambição desmedida, vingança, angústia e solidão.

De um lado, um combate entre as forças económicas e religiosas; do outro, a interligação entre a fé exacerbada e o fanatismo interesseiro e o egoísmo para reforço de um império pessoal. Em ambos os casos, multiplicam-se os piores defeitos da humanidade.

Com interpretações brilhantes e com intensidade física e psicológica, "Haverá Sangue" (baseado livremente em Oil, de Upton Sinclair) poderá ser (injustamente) um filme incompreendido pelas massas e pouco valorizado.

As imagens apresentadas ao longo do filme são poderosas e demonstram detalhe e produção cuidada. A nomeação para 8 Óscares (Daniel Day-Lewis venceu - merecidamente -, o de Melhor Ator) mostra a qualidade da película e da banda sonora.

O petróleo é, ao longo dos tempos, um prenúncio de guerra e sangue. E nada mais negro e angustiante do que este retrato. De destacar, a postura de Daniel Plainview com o filho H.W.: «You're not my son. You're just a little piece of competition. Bastard from a basket. Bastard from a basket! You're a bastard from a basket!»


There will be Blood
★★★★★

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Momento Pipoca: Beasts of No Nation (2015) e Diamante de Sangue (2006)

Na semana passada, eu e a Maria decidimos assistir a "Beasts of No Nation". Por coincidência do destino, ela vira "Diamante de Sangue" ("Blood Diamond") nesse mesmo dia. Ambos os títulos têm no continente africano e na guerra os seus pontos de concordância e retratam conflitos entre os governos grupos rebeldes, bem como a formação de crianças-soldado.

"Beasts of No Nation" (Cary Joji Fukunaga, Netflix)
★★★★★


Em "Beasts" seguimos Agu (Abraham Attah), um jovem rapaz de um país africano não nomeado, que perde a sua família durante um ataque. Conseguindo escapar, é encontrado por membros da NDF, uma fação extremista que está em confronto com o governo. A partir daqui, Agu é "apadrinhado" pelo Comandante (Idris Elba), o líder de um grupo de guerrilheiros da NDF, e treinado para se tornar um soldado na luta contra o regime implementado.

Durante a longa-metragem, assistimos à perda da inocência às mãos das barbaridades da guerra. Agu transforma-se: deixa de ser um menino que gosta de brincar e torna-se, segundo ele próprio, num monstro, que matou e viu matar; que foi abusado e assistiu a abusos. Aqui, a guerra é apenas o plano de fundo. O objetivo da história não passa por mostrar a violência, mas antes por acompanhar as transformações de um rapaz à medida que os horrores da guerra fazem parte do seu dia-a-dia.

No final, resta a esperança que Agu e outras crianças-soldado consigam reconstruir as suas almas e encontrar paz suficiente para voltarem a sorrir ao futuro, depois de um passado tão negro.


"Diamante de Sangue" (Edward Zwick)
★★★★★


Em 1999, a Serra Leoa está em clima de guerra civil. Pessoas assassinadas, mãos cortadas a sangue-frio e saques são a ordem do dia.

Forçosamente, Solomon Vandy, um pescador, separa-se da família durante um ataque à sua aldeia pela Frente Revolucionária Unida (RUF). Capturado, consegue escapar à mutilação e é enviado para trabalhar uma zona de exploração de diamantes.

Danny Archer é um mercenário/contrabandista que é apanhado a tentar passar diamantes pela fronteira da Serra Leoa com a Libéria. Enquanto está preso, fica a saber que Solomon (que também se encontra atrás das grades após o campo de exploração ser atacado pelo exército) descobriu um grande diamante rosa e o escondeu em algum local.

Danny convence Solomon a levá-lo à pedra e, em troca, promete ajudá-lo a encontrar a sua família Em conjunto com Maddy Bowen (Jennifer Connelly), uma jornalista americana, seguem pelo país em guerra. Pelo caminho, sabemos que o filho de Vandy é capturado pelos rebeldes e assistimos à lavagem cerebral feita, para o tornar num soldado.

Com um abordagem mais abrangente que "Beasts of No Nation", "Diamante de Sangue" envereda, numa primeira parte, pela exploração do conflito. Só depois da queda de Freetown (capital da Serra Leoa), é que o filme realmente se foca nas personagens, cada uma com posições diferentes sobre a guerra e a exploração por parte dos países "desenvolvidos".

Com grandes prestações de Leonardo DiCaprio e Djimon Hounsou, é uma obra para ver e colecionar.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Momento Pipoca: The Revenant


"The Revenant" traz-nos - pela mão de Alejandro González Iñárritu (óscar por Birdman, em 2015) - Leonardo DiCaprio e Tom Hardy. A obra é muito destes dois atores, para além da excelente fotografia, cenários e banda sonora de Sakamoto (Babel e The Last Emperor). Mas vamos por partes...

No século XIX, Hugh Glass (DiCaprio) partiu para o oeste americano, disposto a ganhar dinheiro com a venda de peles. Partilhando as aventuras com o seu filho mestiço, Glass é atacado por um urso. Fica seriamente ferido e é abandonado pelos parceiros de caça, nomeadamente Fitzgerald (Tom Hardy), durante um Inverno rigoroso. Enquanto se debate pela vida, Glass vê ainda o seu filho ser morto.

No meio de toda a adversidade, o explorador consegue sobreviver e inicia uma jornada por território selvagem em busca da vingança, pelo filho e pela falta de companheirismo.

"O Renascido" é um filme cru, duro e visceral. Inspirado em factos verídicos e no livro de Michael Punke (2002), a obra é frenética, intensa e dramática. De tirar o fôlego ao espetador.

Com uma grande aptidão técnica e estética, a dimensão envolvente do filme transmite realismo, crueldade, frieza e retaliação. A película é séria e adulta (não aconselhável a pessoas sensíveis), onde o drama e a ação andam de mãos dadas. Há momentos em que os planos-sequência e o virtuosismo técnico fazem o espetador entrar numa quarta dimensão, onde se sente o frio, a dor e o cheiro a doença ou a terra molhada.

O conjunto de sequências, cenários e planos devem ser aproveitados nas salas IMAX, para que o espetador possa usufruir de todas as vantagens.

DiCaprio tem uma atuação de encher os olhos, arrebatadora. Sem grandes diálogos, há uma prestação multidimensional: momentos em que a dor física e emocional são eletrizantes, momentos amorfos, momentos de desgaste ou de uma energia anormais. Hugh Glass transmite um dicionário de expressões, com uma forte presença física e intensidade no olhar.

Tom Hardy (Mad Max, 2015) tem outra prestação de grande dimensão e está brilhante como John Fitzgerald, um ignorante que apenas quer salvar a sua pele, ausente de sentimentos e com imensa maldade.

Durante as gravações, os atores enfrentaram grandes dificuldades: para além do temperamento difícil do realizador, as filmagens foram efetuadas com luz natural e debaixo de temperaturas negativas. Di Caprio nadou em rios gelados e enfrentou nevões; o ator de Titanic comeu ainda fígado cru, numa cena que se encontra refletida no filme.

A obra ganhou três importantes categorias dos Globos de Ouro de 2016: melhor drama, melhor ator de drama (Leonardo DiCaprio) e melhor diretor (Alejandro González Iñárritú). Está indicado a 12 Óscares, incluindo melhor filme, melhor diretor, melhor ator e melhor ator secundário. Independentemente do número de troféus que possa conquistar, é sem dúvida um grande filme.

A única nota negativa vai para a carnificina animal transmitida durante o filme. Numa altura em que tanto se fala em direitos dos animais, são muitas as cenas cruéis e selvagens, que chocam os amigos dos seres de quatro patas. Um incremento de violência que, apesar de real para o período em que se insere o filme, é desnecessário para contextualizar o mesmo.

The Revenant
★★★★★

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Devaneio por MARIA JOÃO: Coisas de namorada

23:20 Posted by Maria João*** , No comments

Mais um dia seis. Mais um dia de festejo e, desta vez, são trinta e oito meses. 1140 dias de amizade, cumplicidade e amor. 27360 horas entre filmes, futebol, sofá e passeios por Portugal - com a descoberta de locais que ficam registados na memória, em fotografias e, sobretudo, no coração!

Não escondo que, quando esta relação se iniciou, não previa que fosse correr bem. As incertezas eram em maior número do que as garantias. Não te conhecia, nada (ou pouco) sabia sobre ti. Não sabia se o passar do tempo seria a nosso favor... Tinha receio (não por ti mas por mim). Enganei-me redondamente. Não só nos temos aguentado firme como, a que dia que passa, temos mais motivos para nos sentirmos fortalecidos (e felizes, creio eu!).

Não podia ter pedido melhor companheiro para a vida. Sempre carinhoso e a mimar-me com frequência; sempre preocupado com o meu bem-estar; sempre atento aos meus sinais, mesmo que os tente disfarçar; sempre cúmplice e amigo, nos bons e maus momentos; sempre esforçado, na vida pessoal e profissional.

Nestes três anos, não me arrependo de nada. "Ganhei-te" a ti, ganhei uma (segunda) família, que sempre me acolheu com carinho e com o maior conforto. Ganhei, principalmente, o meu sorriso. Não só pela cerca metálica que instalei (para não me roubarem os dentes!) como por tudo o que me tens dado e que tenho conquistado a teu lado.

Segurança, maturidade, vontade em construir um futuro sólido, em ser mais e melhor todos os dias. Essa vontade de te surpreender com boas ações e fazer valer ouro cada momento a teu lado. De te fazer sentir que vale a pena. De fazer sentir que valeu a pena almoçares comigo naquele dia 6... que vale a pena o esforço que fazemos (individualmente e juntos) para crescermos, evoluirmos e ultrapassar obstáculos.

AMO-TE! A tua aprendiz de cinema e mentora de música quer continuar a poder declarar-se a ti todos os dias e dar motivos para continuares a gostar de mim. Dá-me a mão, agarra-me com força e vamos continuar, lado a lado, a conquistar o mundo. O nosso mundo!



NOTA 1: depois deste texto, quero muito mimo!

NOTA 2: sim, eu aceito! (não, não estou a falar [ainda] do pedido de casamento... mas estou a falar de ver os filmes do Star Wars)

NOTA 3: depois da nota 2, quero ainda mais mimo! :)

Momento Pipoca: Star Wars: O Despertar da Força (2015)

As duas melhores personagens do filme

Enquanto espero para entrar na sala de cinema, estou rodeado de uma multidão alegre e efusiva. É compreensível tal ambiente, pois, passados dez anos, "Star Wars" estava de regresso.

A saga mais famosa da 7ª Arte voltou com pompa. Depois de uma campanha de marketing que nunca revelou demasiado acerca do enredo, o mundo debatia teorias sobre a direção que o filme iria tomar. Após anos de especulação, eis que chegara o momento e todos estavam ansiosos e, sobretudo, esperançosos que as suas expectativas não saíssem defraudadas (como acontecera com segunda trilogia).

"Star Wars: O Despertar da Força" cumpriu a promessa. Voltou às origens, com efeitos práticos, personagens carismáticas e um vilão bastante interessante.

Num filme com pouco mais de duas horas, o ritmo é frenético. Desde o tradicional texto de abertura até aos créditos finais, não há paragens e tudo está em movimento. Voltam as batalhas aéreas, os voos acrobáticos, as lutas com sabres de luz... Ah, a nostalgia...

Ao argumento e à excelente produção técnica é obrigatório acrescentar as grandes personagens que dão a cara pela primeira vez, como Rey (Daisy Ridley domina o papel e é o grande destaque do filme), Finn, Poe Dameron (apesar de ter menos tempo de ecrã que os restantes) e, sobretudo, BB-8. É bom que R2-D2 esteja atento à concorrência!

Do outro lado da cerca está Kylo-Ren, um discípulo do Lado Negro da Força cujo objetivo é honrar e terminar aquilo que Darth Vader começou. Contudo, e sem querer lançar qualquer spoiler, há mais em Kylo-Ren do que aparenta... Fico curioso em saber que caminho irá seguir nos próximos dois filmes.

Claro que o filme não é perfeito. No caso deste sétimo "Star Wars", o calcanhar de Aquiles é não tomar grandes riscos. Aliás, o argumento é bastante semelhante ao do filme original - agora designado de "Episódio IV - Uma Nova Esperança"). No entanto, não deixa de ser um ótimo começo para a nova trilogia, que realmente será avaliado após estrearem os episódios VIII e IX. Ainda assim, espero que Rian Johnson, realizador da próxima longa-metragem, leve a história para caminhos mais originais e ainda não explorados. Não quero uma quarta Estrela da Morte!

Star Wars: O Despertar da Força
★★★★

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Momento Bússola: Escapadela Romântica - TEMPUS HOTEL & SPA

21:52 Posted by Maria João*** , , , , No comments
As comemorações de três anos de namoro (e cinco de amizade) levaram Fábio e Maria a fazer uma pequena pausa nas suas vidas complicadas e desencontradas para descansar e retemperar energias.

O destino foi Oleiros, Ponte da Barca e o Tempus Hotel & Spa. Publicidade à parte (e porque ninguém nos paga/pagou) para isto, surge-nos apenas uma palavra: ESPETACULAR!

Os acessos (apesar de, no nosso caso, terem sido feitos com a preciosa ajuda do GPS) foram, na grande maioria, pela autoestrada. Não obstante o mau (correção: péssimo) tempo que se fazia sentir na passada quinta-feira no norte de Portugal, chegamos são e salvos ao hotel e, a partir daí, foi só usufruir e aproveitar o espaço.

O amplo quarto - com um sistema de entrada/saída e de iluminação/temperatura ambiente completamente eletrónico - dispunha de um gift de boas vindas (espumante), chão alcatifado, sofá e uma cama "big size", para além de uma casa de banho com excelentes condições e de uma limpeza irrepreensível.

É também de salientar, durante a estadia, a simpatia e o comportamento atencioso de todos os funcionários com quem nos cruzamos. Sempre dispostos a ajudar, é óbvio que uma das marcas do hotel é o cuidado com os clientes, para além da decoração.

Para quem quiser um programa mais caseiro, a televisão do quarto apresenta, para além dos canais vulgares, possibilidade de sintonizar rádio e um sistema de aluguer de filmes.



Para aproveitar todas as qualidades e características do hotel, o piso -1 tem uma zona de relaxe: com jacuzzi, piscina interior, banho turco e sauna. Toda esta área tem espaços de apoio, como balneários, duche e wc.

Sazonalmente, funciona também a piscina exterior, com acesso direto através dos quartos e de zona ajardinada.

O Tempus Hotel & Spa apresenta ainda um pacote de massagens e restaurante... Mas, devido ao pouco tempo disponível, não pudemos experimentar nem um nem outro, principalmente a cozinha de autor que destacam no segundo caso.

Apesar de as horas para descansar/relaxar estarem limitadas e muito reduzidas, este singelo casal fez questão de aproveitar ao máximo tudo o que estava à disposição. Foi a primeira vez que se usufruiu de um local com tantas mordomias e luxos (que até incluíram pequeno-almoço no quarto e que dava para uma família inteira)... A data merecia toda esta qualidade e nós também!

A experiência fez-nos esquecer algumas situações menos agradáveis a que nos submetemos nos últimos tempos em casas alugadas (que ficam no fim do mundo e sem metade do que tivemos aqui).
E perguntam vocês: e pontos negativos? Não há. Ou melhor: há um... o pouco tempo que nos sobrou para aproveitar tudo. Com toda a certeza: há que voltar e com muito mais disponibilidade.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Momento Literatura: PROMETO FALHAR, de Pedro Chagas Freitas


Pedro Chagas Freitas é um romântico. Um romântico incurável que, ao longo dos seus textos, nos faz acreditar no amor. No amor no seu sentido mais puro (não perfeito!). No amor dos apaixonados, dos amantes, dos amigos, pelos filhos, pelos pais.

Em "Prometo Falhar" (um conjunto de crónicas, textos, declarações apaixonadas e cartas de amor), o escritor relata histórias de paixão - mais sentimental ou carnal -, de sexo, de promessas, de dor, de perdão e de morte.

Enquanto alguns textos são meros desabafos e frases criando algum tipo de sentido, outros são artigos biográficos, no qual o leitor se pode (e deve) rever.

Quantos já não tiveram dias difíceis, discussões duras mas apaixonadas, pazes feitas com uma sessão de amor louco, desejos de voltar para uma paixão antiga e palavras de "adeus" ditas que, apesar da mágoa e dor associada, são necessárias?

"Prometo Falhar" é sobre isso. Sobre isso e muito mais. São histórias de amor, de recordações, de fotografias escritas. São histórias que agarram emoções e nos prendem até ao fim. São emoções. São retratos de relações... desde as mais preguiçosas (o estar no sofá a ouvir a chuva ou partilhar a cama) às mais atribuladas (telefonemas, mensagens ou cartas de amor em sofrimento, de paixões negadas ou escondidas, da vontade de sexo, de sentimentos irrefletidos).

Pedro Chagas Freitas escreve um pouco sobre ele e sobre cada um de nós; escreve sobre o amor, sobre o que ele nos traz, sobre o que ele nos devolve quando é vivido em pleno e sobre o que nos pode tirar com o fim, com a partida e com a morte. Abre uma ferida à flor da pele e cura-a numa fração de segundos.

"Prometo Falhar" é uma ode ao amor com o toque intimista e o estilo inconfundível do escritor.


♦♦♦
NOTA BIOGRÁFICA:

Pedro Chagas Freitas nasceu em Guimarães, no ano de 1979. Estudou Linguística na Universidade Nova de Lisboa (entre 1998 e 2002). Publicou, em 2005, a sua primeira obra literária, “Mata-me” (na apresentação, Chagas Freitas teve apenas quatro pessoas).
Em 2006, venceu o Prémio Bolsa Jovens Criadores, que lhe foi atribuído pelo Centro Nacional de Cultura e pelo Instituto Português da Juventude.
Em 2012 lançou "Eu Sou Deus" e "Ou é Tudo ou Não Vale Nada"; em 2013, lançou "In Sexus Veritas".
"Prometo Falhar", de 2014, foi um livro escrito a várias mãos: a origem foi um conjunto de sugestões deixadas pelos fãs no Facebook. E o resultado foi mais de 15 edições e de 100 exemplares vendidos.
Nas bancas já está "Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?", a mais recente obra.

sábado, 5 de setembro de 2015

Momento Pipoca: As Mil e Uma Noites – Volume 1, O Inquieto


Neste final de Verão, Miguel Gomes (Tabu - 2012 e Aquele Querido Mês de Agosto - 2008) traz-nos uma sátira a Portugal e um retrato do que têm sido os últimos anos neste país.

Através de uma mistura entre o documentário (com base em testemunhos verídicos e a partir da realidade recente) e a ficção (uma adaptação dos contos populares árabes de "As Mil e Uma Noites" narradas pela rainha Sherazade), o realizador traça a história de um país mergulhado na austeridade. Para isto, apresenta vários capítulos que abordam a temática do desemprego, a crise económica e a ebulição social (como a que abalou os Estaleiros de Viana) e as histórias (quase inacreditáveis) da vida nas aldeias portuguesas.

Gomes não esqueceu - nem podia - a chegada da Troika a Portugal e apresenta uma possibilidade sobre a forma como foram tomadas as decisões relacionadas com os cortes orçamentais e o défice.

O filme é realista, ambicioso e bem-disposto. É uma realidade e um retrato social sobre a vida de muitos portugueses, «desempregados de condição», a quem o País nega os direitos básicos e constitucionais de acesso a trabalho, à alimentação e a condições de sobrevivência. O humor aligeira as histórias apresentadas e é uma componente fundamental...

Mas há sempre um mas e, no caso do Volume 1, este deve-se a algum exagero. Primeiro, na dose de humor utilizada no episódio da Troika (que chega a roçar a brejeirice e a badalhoquice barata). Segundo, o exagero na ruralidade apresentada no capítulo do Galo (que quase classifica Portugal como um país de terceiro mundo e pouco citadino). Estes fatores - na minha opinião, completamente desnecessários - fazem com que se perca alguma da magia do filme e levam, por vezes, a esquecer a grande qualidade que o reveste.

A obra, com cerca de seis horas no total, foi acolhida com grandes elogios e premiada internacionalmente, como, por exemplo, no Festival de Cinema de Sidney. Em Portugal, estreou no Festival de Curtas em Vila do Conde.

A longa-metragem é uma coprodução entre Portugal, Espanha, França, Suiça e Alemanha e conta com nomes como Rogério Samora, Adriano Luz, Carloto Cotta, Gonçalo Waddington, Margarida Carpinteiro, entre outros.

A estreia foi garantida em cerca de 30 países, entre eles Grécia, Espanha, Reino Unido, Japão e Brasil. Em Portugal, a segunda parte do filme, "O Desolado", estreia a 24 de Setembro. O terceiro e último volume, "O Encantado", chega uma semana depois, a 1 de Outubro.

MIL E UMA NOITES
★★★★

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Momento Pipoca: As Vantagens de Ser Invisível (2012)


Belo.
Espetacular.
Arrebatador.

Depois de "Ghost World - Mundo Fantasma" e "Juno", "As Vantagens de Ser Invisível" ("The Perks of Being a Wallflower") é o terceiro filme coming-of-age produzido por  Lianne Halfon, Russell Smith e John Malkovich.

Desta vez, seguimos Charlie Kelmeckis (Logan Lerman) - um jovem introvertido, sem amigos e com um historial de problemas psicológicos -, que se prepara para o seu primeiro ano no Liceu. Além da família, a única companhia de Charlie provém das palavras que escreve no seu díário.

No início desta nova aventura académica, o jovem tem realmente dificuldade em relacionar-se com quem quer que seja, sendo alvo de chacota por vezes. Contudo, Charlie começa a estabelecer uma boa relação com o seu professor de inglês (Paul Rudd), que repara na sua inteligência e cultura. O rapaz conhece também dois finalistas - Sam (Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller) - e uma grande amizade nasce entre os três.

Baseado no livro de Stephen Chbosky, que, aqui, ocupa também a posição de argumentista/realizador, "Perks" retrata a luta destes jovens com os seus próprios demónios. Alguns dos temas debatidos, como a violência no namoro, a homossexualidade, o bullying, e a pedofilia, irrompem na história com um impacto impressionante. Aqui, parabéns a Chbosky e ao elenco por conseguirem criar personagens tão interessantes, com as quais nos podemos relacionar de alguma forma.

Recomendo, vivamente!

As Vantagens de Ser Invisível
★★★★★

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Momento Clave de Sol: MARÉS VIVAS # Noite 3


♫ ♪ A última noite de festival prometia, pelos nome do cartaz, ser a melhor. E as expetativas não sairam goradas...
Se os THE BLACK MAMBA não eram um nome tão sonante e atrativo, ANA MOURA já representa uma figura mais conhecida da praça!
Com um pôr-do-sol maravilhoso e com uma tarefa difícil (a de tornar o fado num estilo festivaleiro), a cantora interpretou músicas como "Búzios", "Leva-me aos fados" e, para a palminha de final de concerto, o "Desfado".
Houve ainda tempo para uma inclusão de Amália Rodrigues (com o tema "Valentim") e uma passagem por Rolling Stones - com quem Moura já fez dueto.
Uma artista portuguesa com certeza!

♫ ♪ Depois dos artistas portugueses, seguiu-se o «animal de palco» Mr. JAMIE CULLUM. O «pequenote» já é figura habitual por terras lusas e pelos festivais portugueses. Os seus espetáculos marcam, inevitavelmente, quem os vê!
Um autêntico homem dos sete instrumentos, Cullum mostrou que o que lhe falta em altura lhe sobra em sensibilidade musical e em energia.
Apesar de o tempo curto ter impedido Jamie e os seus músicos de terem brilhado ainda mais, para além dos sucessos que o tornaram mundialmente conhecido, houve ainda tempo para uma reinterpretação de Snoop Dog e de "Thing" de Amerie.
E se "Mixtape" já é uma bomba em qualquer youtube, rádio ou spotify, ao vivo a música ainda um tom mais especial... e apetece tocá-la em loop e dançar na praia até o sol nascer!

♫ ♪ A grande faixa de festivaleiros entusiasmados eram fãs dos THE SCRIPT. Os irlandeses tiveram um grupo de seguidores portugueses em peso no Marés Vivas.
E, não obstante não serem o nome com mais força nem cujas músicas eram, para mim, as mais conhecidas, a banda deu um grande concerto e mostrou porque foram confirmados para o festival nortenho logo após o concerto de 01 de Abril no MEO Arena.
Desde o início apoteótico até ao último acorde, os sons mais familiares levaram o público a um estado a roçar o histérico.
Com "The Man who can't be moved" "Breakeven", "Superheroes" ou "For the first time", Danny O'Donoghue e os seus rapazes provam que o estilo comercial que aparentam facilmente é testado e aprovado em cima de palco...
... ou fora dele, uma vez que o vocalista dos The Script fez do público da bancada patrocinada pela CGD o cenário de uma parte do espetáculo!
E, a comprovar pela agenda (depois do norte de Portugal, os irlandeses passarão pela Hungria, Osaka, Áustria, Reino Unido e Alemanha), a banda vai continuar a estar na "Hall of Fame". E o público lamentou quando tudo acabou. Como cantam os THE SCRIPT, "together We Cry" pelo fim do concerto e, automaticamente, pelo fim do festival.

sábado, 25 de julho de 2015

Momento Clave de Sol: MARÉS VIVAS # Noite 2


♫ ♪ Que me perdoem a sinceridade mas o concerto da KIKA foi a melhor altura para invadir a área da restauração (tal qual campo de batalha, em busca da melhor fatia de pizza ou da melhor bifana).
Se a música "Guess it's all right" traz uma boa vibe, a jovem portuense não demonstrou boa comunicação com o público nem técnicas para cativá-lo. Não obstante as tentativas em apresentar as músicas ou falar um pouco delas, houve um afastamento evidente entre a cantora e os presentes.

♫ ♪ O filho do norte MIGUEL ARAÚJO cumpriu muito bem o papel de antecipar Lenny Kravitz e de agarrar o público do primeiro ao último acorde.
Com direito a um pedido de casamento durante a música "Balada Astral", o guitarrista e letrista de Os Azeitonas provou que é possível dar um concerto intimista num festival.
Com um cenário mítico e que já constitui uma marca do Marés Vivas (o rio, o espaço envolvente, a temperatura), faltou tempo para a inclusão de músicas como "Contamina-me" ou "Autopsicodiagnose" ... mas houve espaço para uma versão de "O Pica do 7" (cantada por António Zambujo mas da autoria de Miguel Araújo).
O concerto terminou com o público a cantar, em uníssono, "Os maridos das outras".

♫ ♪ Na segunda noite de festival, as expetativas estavam altas para o concerto de LENNY KRAVITZ... mas parece que o artista nova iorquino se esqueceu de vir a Portugal e a Vila Nova de Gaia nos primeiros minutos de concerto!
A estrela não foi Lenny mas os (grandes) músicos da sua banda.
A certa altura, o espetáculo parecia um circo! Kravitz dava o nome e o mote mas o brilhantismo partia da baterista, do guitarrista e dos restantes membros em palco.
Para além disso, alguns temas consistiram em versões alargadas que cansaram os ouvidos até dos mais resistentes...
Ainda assim (e já mais perto do final do concerto), o ator de The Hunger Games chegou ao Cabedelo (tendo aumentado a sua interação com o público) e interpretou temas míticos como "Fly Away" e "Are You Gonna Go My Way".
Faltaram as mais recentes "The Chamber" ou "New York City": não tão conhecidas mas mais comerciais e com grande batida para festivais.

♫ ♪ A noite terminou com todos os festivaleiros a tirar o pé do chão e a acordar as duas margens do rio.
Os BURAKA SOM SISTEMA subiram ao palco já era madrugada e usaram "Vuvuzelas" para que os presentes e Vila Nova de Gaia ficasse "(Stay) Up all night".
Com uma Blaya imparável em cima de palco, "Sound of Kuduro" mostrou que a banda portuguesa está "Aqui pra vocês".
Com "Wawaba", não houve quem não ficasse "Hangover" pela noite dentro!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Momento Clave de Sol: MARÉS VIVAS # Noite 1


♫ ♪ A primeira noite do festival Marés Vivas começou com uma banda portuguesa. Os BLIND ZERO foram os anfitriões de um dia que teria muito a revelar.
O grupo nortenho começou a aquecer a noite com o tema "Snow Girl"; seguiu-se uma música dedicada a Nick Cave (intérprete que, recentemente, perdeu o filho de 15 anos).
Depois, "Back to the fire" do álbum Luna Park relembrou o tempo em que o grupo uma longa paragem e regressou depois aos palcos.
A banda teve ainda tempo para (re)interpretar "Wrecking Ball" de Miley Cyrus e "Shine On" levou o público ao rubro.
Um Miguel Guedes cheio de energia e uma guitarra irrepreensível provaram que os Blind Zero estão ainda para as curvas e que os anos de carreira são apenas «bilhete de identidade».
Para terminar, seguiu-se "Recognize" - uma música «do tempo dos dinossauros» - e "Slow Time Love" para fechar a noite.

♫ ♪ JOHN NEWMAN foi a grande surpresa da noite. Com um espetáculo em moldes idênticos a Robbie Williams e passos de dança a roçar Michael Jackson, o artista britânico mostrou que se pode «construir» um personagem e fazê-lo valer em cima do palco.
Os maiores êxitos, conhecidos do grande público - como "Love Me Again" e "Losing Sleep" - fizeram vibrar e tirar o pé do chão.
Faltou mais tempo de concerto para Newman mostrar o que vale... até porque provas não faltam: foi nomeado para três Brit Awards em 2014, incluindo o British Male Solo Artist. Só em Fevereiro de 2014, John Newman vendeu 1.3 milhões de cópias só no Reino Unido.

♫ ♪ Com o recinto sem espaço para uma formiga, Gaia preparou-se para receber JOHN LEGEND. A noite estava a cair e era muito grande a expetativa em torno do músico americano.
Com um espetáculo melódico e com muitas baladas, "Ordinary People" (tema que o lançou para o estrelato) e a mais recente "All of Me" foram dos grandes momentos do espetáculo.
"Glory" (Óscar de Melhor Canção Original, no filme Selma) fechou o concerto.
No fim, ficou a sensação de que Legend poderia ter feito muito mais e bem melhor, quando estava conotado como cabeça-de-cartaz do primeiro dia e um dos nomes fortes do festival.

♫ ♪ Num dia que tinha sido de trabalho, o cansaço e o gosto musical não permitiram assistir ao concerto de RICHIE CAMPBELL. O intérprete de "Best Friend" e "That's how we roll" fechou a primeira noite do Festival Marés Vivas.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Momento Pipoca: SPY


O trabalho é cansativo e obriga a descanso nos dias em que um feriado ou o fim-de-semana o permite... E ontem foi um desses dias.
As condições climatéricas não estavam favoráveis e não deram para fugir até à praia e bronzear as pernas...
O local mais óbvio para passar o 10 de Junho foi o shopping. Em dia de estreias no cinema, com um tempo atípico e com roupa de Verão para comprar, parece que o centro comercial foi o nosso refúgio e o de 3/4 da população do Porto e arredores!

Em hora de escolha de filme, foi unânime entre mim e o Fábio Silva que o melhor era uma película simples, sem grande enredos ou premissas complicadas. E quando todo o pessoal escolhia o "Mundo Jurássico", a nossa sala foi a número 7 do NorteShopping e a sessão foi a do filme SPY.

Paul Feig (realizador de "Bridesmaids") traz-nos uma Melissa McCarthy que se torna uma espia depois do misterioso desaparecimento do seu companheiro de trabalho e amor platónico Bradley Fine (Jude Law).

Após um período como deskbound da CIA (auxiliando nas mais complicadas missões), Susan Cooper revela-se uma escolha pouco óbvia mas acertada para ocupar o lugar vago deixado por Fine, infiltrando-se nas atividades pretensiosas e valiosas de De Luca (Bobby Cannavale) e de Rayna (Rose Byrne).

Numa clara rivalidade com Ford (Jason Statham), Susan Cooper assume as mais variadas identidades para conseguir travar as ações pouco ortodoxas do grupo, assumindo-se como uma solteirona dona de 7 gatos até "Amber Valentine".

Com gargalhadas garantidas (e que, no meu caso, me fizeram chegar às lágrimas de tanto riso), SPY assume um rumo crescente e envolvente, que faz querer ver e saber mais sobre Cooper e as suas missões com Nancy e Aldo.

De roubos de mota para apanhar os bandidos a formas pouco claras de integração no seio dos trapaceiros e de tratamento dos inimigos, o filme merece uma continuação. Uma segunda parte de aventuras, cheias de boa disposição, fugindo ao óbvio e básico.

Não obstante haver vontade de, daqui por uns meses, regressar à sala de cinema para mais de Melissa e companheiros, a comédia está tão bem feita e é tão ligeira e realmente divertida que, com um segundo filme, a qualidade pode ficar distorcida e dúbia.

Para rir e chorar por mais, num cinema bem perto e com sala muito composta.

SPY
★★★★½

Nota positiva ainda para a banda sonora do filme!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Momento Pipoca: Phoenix (2014)


Terça-feira foi o dia da nossa estreia no Teatro Municipal do Campo Alegre. À falta de filmes interessantes (que não tenhamos já visto) em outras salas do Porto, optamos por uma obra mais desconhecida do público, em geral: "Phoenix", de Christian Petzold.

A premissa era deveras interessante: Nelly Lenz é uma sobrevivente de um campo de concentração que ficou seriamente desfigurada. Após a reconstrução facial, Nelly inicia a procura do seu marido, Johnny. Quando finalmente o encontra, este não a reconhece. Contudo, as parecenças com a sua "falecida" mulher motivam-no a propor a Nelly que interprete a sua esposa, para conseguirem ambos receber a fortuna que ela deixou.

Sentados no pequeno auditório, com cerca de metade da sala cheia, assistimos a mais uma colaboração entre Nina Hoss e Petzold.

Vencedora do Urso de Prata pelo seu desempenho em "Yella" (2007), Hoss deixa uma ótima marca ao interpretar uma pessoa que interpreta outra. Nelly está quebrada, por dentro e por fora. O seu mundo foi destruído pelo Holocausto e a sua própria identidade é uma manta de retalhos que nem a reconstrução da cara (que é apenas semelhante à original) consegue curar. Em alguns momentos, questionamos que motivos levam Nelly a ser uma pessoa tão dependente do seu marido. Por que razão esta mulher parece viver num outro mundo, onde só voltar a ter o amor deste homem importa. Felizmente, o motivo é explicado durante o filme (e é compreensível, face ao que esta mulher passou durante a II Guerra) e dá um maior peso às ações dos protagonistas.

O "Johnny" de Ronald Zehrfeld é o tradicional oportunista, que vê nesta mulher a chance de conseguir o que perseguia há algum tempo: a herança da esposa. Ao longo da obra, ficamos a conhecer o calculismo com que prepara o seu plano, desde a roupa de Nelly até aos comportamentos que devem ter nos momentos em que estão juntos.

A realização de Petzold é bastante eficaz. A última cena é tão simples como bela, o clímax de toda a história até ao momento. No entanto, e apesar de não ser o objetivo do realizador, gostaria de ter visto mais um pouco do mundo pós-guerra, bem como saber mais sobre as restantes personagens, sobretudo a de Nina Kunzendorf. Explorar um pouco mais a confusão de Nelly face a si própria e a sua relação com o verdadeiro Johnny seria muito bem vindo.

Phoenix
★★★½

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Momento Bússola: Escapadela Romântica até Lindoso

# DIA 01



Partimos do Porto com direção ao Parque Nacional Peneda-Gerês. Uma vez que somos defensores de estradas nacionais, fizemos a viagem por vias secundárias. A primeira paragem foi em Braga, onde almoçamos.
Na cidade dos arcebispos, confirmaram-se as nossas suspeitas (verificadas na primeira viagem ao Gerês): as estradas são terríveis e os condutores malucos...
Motivados talvez pela complicação dos acessos, não fossem os iogurtes "Longa Vida" que estavam na mala do carro, íamos sendo trucidados sem chegar sequer ao destino principal.
Continuando o percurso, a paragem seguinte foi Ponte da Barca. Um município pequeno e bastante pacato, onde o Lima se alcança.
Chegados a Lindoso, iniciou-se a busca pelo nosso lar, por entre estradas minúsculas, sem movimento aparente.
A boa notícia: a nossa «casa» era espetacular, inserida num conjunto de casas típicas. CASA DO CHARCO: um pequeno T1 cheio de boas energias e um espaço muito agradável para se estar, descansar e namorar.

# DIA 02



Infelizmente, as condições meteorológicas foram as grandes traidoras neste fim-de-semana prolongado. A sexta-feira iniciou-se cinzenta e com chuva a cair em doses consideráveis, que impediam qualquer passeio ou descoberta de maior dimensão...
Por isso, decidiu-se que este dia seria passado em modo de sessão de cinema caseiro. Se na noite de quinta o filme tinha sido "Tempestade Tropical" (uma comédia com Ben Stiler, Jack Black e Tom Cruise, entre outros), na tarde de sexta o filme foi mais dramático e pesado. "Nifomaníaca" - versão de realizador de 5h30 - foi a película escolhida para acompanhar o mau tempo.
Ainda antes da sessão de cinema e antes do almoço - quando a chuva acalmou - foi tempo de dar um passeio por Parada, em Lindoso, onde estávamos instalados. Por lá, descobrimos casas de pedra, ruas estreitas e espigueiros, juntamente com quedas de água.

# DIA 03



O início do fim-de-semana revelou-se uma verdadeira surpresa. Se na sexta não tinha sido possível usufruir das maravilhas do norte de Portugal, o sábado foi um teste à resistência, tanto à boa forma física como ao calor...
De manhã, encontramos uma paisagem de cortar a respiração, mesmo ao pé da casa onde estávamos instalados. A Poça da Gola merecia um mergulho, mas a coragem e o biquíni ficaram em casa!
A meio da manhã, foi hora de rumar a terras de «nuestros hermanos», com destino a Ourense. Ainda em Portugal, subimos ao Castelo de Lindoso e visitamos a Barragem do Lindoso.
Já em Espanha, paragem em Lobios e nas suas termas naturais, ao ar livre. Uma maravilha, autêntica e a dar imensa vontade de voltar.
Em Ourense, o calor foi traiçoeiro e a descoberta das suas pontas e zona histórica tornou-se dificultada. Mas não há tarefas impossíveis para Fábio e Maria. A pé, vimos tudo o que era possível, com muitas gargalhadas e fotografias à mistura!
À noite, depois do jantar (e quando o cansaço dava um ar de sua graça), o sofá foi o melhor aconchego e "Masterchef" o programa escolhido para acabar o dia.

# DIA 04



Infelizmente, tudo o que é bom acaba rápido. Parece cliché... mas tanto ansiamos por estes dias e eles passaram a voar.
Ainda assim, fizemos questão de aproveitar ao máximo todos os momentos, para namorar e descobrir mais deste Portugal verdejante e montanhoso.
A hora de almoço de domingo era a nossa despedida, não sem antes jogar umas partidas de Uno e rir sem parar...
A caminho do Porto, a paragem inicial foi numa albufeira de cortar a respiração, seguida de Arcos de Valdevez, onde a praia fluvial e o Rio Vez roubaram a nossa atenção e a memória do telemóvel para tantas fotografias.
Apesar da tentativa, a quantidade de veículos automóveis estacionados junto ao rio em Ponte de Lima assustou-nos e obrigou-nos a seguir viagem.
Depois de uma breve paragem numa pastelaria na estrada nacional em direção a Braga, depressa se chegou ao Porto, com a sensação de dever cumprido no que diz respeito ao aproveitamento dos dias mas com o coração apertadinho por estas férias terminarem.

domingo, 3 de maio de 2015

Momento Pipoca: Capitão Falcão


Ontem, foi dia de cinema. A noite foi passada no Parque Nascente e teve direito a sessão bem portuguesa.

"Capitão Falcão" é o super-herói que vai salvar o país dos comunistas («a ameaça vermelha») e das feministas («porque não há nada pior do que uma mulher que pensa que é um homem»).

Gonçalo Waddington interpreta o protagonista da história (que tem traços de machista e pai autoritário) e cujo mestre foi o Capitão Gaivota (interpretado por Miguel Guilherme).

Herói do país e do regime salazarista português, Falcão, o ultra-patriótico lusitano, tem como grande apoio o "Puto Perdiz" - o seu (mudo e) fiel companheiro de aventuras.

Os "Capitães de Abril" (com uma apresentação semelhante aos Power Rangers) são os vilões do filme, levados por uma revolta e ódio a Falcão. Apenas este herói (se as lutas e o comunismo não lhe trocarem as voltas) poderá impedir o plano malvado deste grupo. Ao serviço do Estado Novo, o Capitão combate todas as ameaças à Nação, respondendo apenas a António de Oliveira Salazar, a figura maior do Governo da época.

Com uma dose de humor q.b., o filme é divertido e inteligente, contribuindo para um serão bem passado.

Classificado como comédia, ação e sátira, "Capitão Falcão" é um filme arrojado e provocador, que faz rir e não toma o público por estúpido, uma vez que dá leveza à história e à sua contextualização. Durante os 106 minutos de filme, para além da guerra contra os "comuninjas", há alusões a D. Afonso Henriques e a Major Alvega.

E atenção! Após os créditos - imitando a Marvel - e depois de cantarem em uníssono com o vosso par o "E Depois do Adeus", há cena que introduz uma possível sequela... É apresentado o Flamingo, enquanto o mesmo pinta as unhas.

Infelizmente, a falta de espetadores tem vindo a reduzir o número de salas com sessões do filme, pelo que na página oficial já foi solicitado a todos que se desloquem ao cinema para ver esta película. Citando a página oficial no Facebook, «está agora em 52 salas de cinema. Não irá ficar em sala muito tempo, por isso aproveitem se quiserem ver portugueses a sério a lutar».

Para permitirem a sequela e não deixarem ficar mal um filme português, visitem a sala de cinema mais próxima e, em vez de darem tanto sucesso a 50 Sombras de Grey ou a um qualquer envolvendo um romance do Nicholas Sparks, combatam a «ameaça vermelha», aliando-se ao Capitão Falcão.

Capitão Falcão
★★★★

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Momento Pipoca: Crónica (2012)


Há uns dias, fui ao shopping com a MJ e, na secção dos DVD, encontrei um filme a que assistira há bastante tempo: "Crónica" (título original: "Chronicle"). Lembrei-me do quanto esta obra me surpreendera da primeira vez que a vira e decidi trazer o disco comigo.

Em "Crónica", seguimos três rapazes que, durante uma festa, descobrem um buraco no solo onde se encontra um objeto nunca antes visto. Esta descoberta transforma os jovens, dando-lhes poderes telecinéticos . Ao longo da história, vemos o desenvolvimento destas habilidades, desde momentos mais simples, de brincadeira, até ao seu uso indevido e mortal.

O filme é apresentado como found footage (vídeos descobertos), bem ao género de "Cloverfield" e "Actividade Paranormal", o que poderia afetar a credibilidade na qualidade do filme. Contudo, "Crónica" transcende as convenções do género, desde as interpretações aos efeitos (bastante bons para um orçamento "reduzido", de 12 milhões de dólares). No entanto, esta escolha em contar a história como um documentário gravado pelo próprio protagonista limita o seu desenvolvimento. Nunca ficamos a saber o que é o tal objeto soterrado, por exemplo.

Os três atores trazem prestações fortes, onde se destaca Dane DeHaan ("Kill Your Darlings" e "O Fantástico Homem-Aranha 2"), como Andrew Detmer. DeHaan traz várias camadas a este rapaz tímido, sem amigos, violentado em casa e na escola, e com uma fúria crescente no seu interior. A ele, juntam-se as personagens de Michael B. Jordan (Steve Montgomery) e de Alex Russell (Matt Garetty).

"Crónica" é a estreia de Josh Trank no comando de uma longa-metragem. Antes disso, havia realizado alguns episódios para a série "The Kill Point". A sua realização é inteligente, quebrando os limites do found footage através de algumas ideias que inovam a forma como olhamos para o género (uma personagem usar a mente para levitar a câmara e obter planos mais grandiosos é uma delas). Sem dúvida que este filme pesou imenso quando a 20th Century Fox escolheu Trank para realizar o novo "Quarteto Fantástico", que estreia este verão.

Crónica
★★★★

sábado, 11 de abril de 2015

Momento Pipoca: Better Call Saul


Eis que chegou ao fim uma das séries mais aguardadas do ano. "Better Call Saul" (BCS) é um spin-off de "Breaking Bad" (BB), considerada uma das melhores histórias que alguma vez surgiram no pequeno ecrã.

A trama de BCS decorre seis anos antes dos eventos de BB. Aqui, seguimos o percurso de Saul Goodman, uma das mais conhecidas personagens da série original, desde que era conhecido como James McGill, um advogado à procura do seu rumo e com a vida dividida entre pequenos trabalhos no tribunal - que muito pouco rendem - e cuidar do seu irmão mais velho, Chuck.

A primeira temporada acompanha o caminho de James enquanto este, no decorrer dos episódios, se vai tornando mais confiante e perspicaz face ao mundo que o rodeia. Claro que tal não acontece sem momentos mais problemáticos, que envolvem gangues, subornos e a rivalidade com a Hamlin, Hamlin & McGill - uma grande sociedade de advogados, da qual Chuck é um dos principais membros.

Quem assistiu a BB sabe quem é Saul Goodman. Em BCS, assistimos, passo-a-passo, ao desmoronamento de McGill nesta nova identidade. Apesar da temporada não relatar todos os acontecimentos, já muito nos informa sobre o que realmente encaminhou James a adotar um rumo totalmente diferente. A melhor parte? Apesar do momento fulcral que destroça o advogado, é todo o conjunto de experiências de McGill que levam a uma mudança na sua atitude. Isto significa que todos os momentos são importantes. Saul Goodman não é o resultado de um momento, mas sim de vários.

A série não tem o mesmo tom de BB, cingindo-se mais ao humor negro. No entanto, isso não é negativo. Bem pelo contrário! Bob Odenkirk continua perfeito neste papel. É carismático, tem personalidade e sentido de humor. Se já era um prazer vê-lo no seu lado mais negro (como Saul Goodman), assistir à sua metamorfose - de alguém que quer seguir o caminho certo, para orgulhar o irmão, num ser cujo o "Eu" só importa - é delicioso.

Além de Odenkirk, regressa Jonathan Banks como Mike Ehrmantraut - outra grande personagem de BB. Apesar de já não ser nenhum "santo" no decorrer de "Better Call Saul", ficamos a conhecer melhor quem é Mike e como se transformou no grande solucionador de problemas da série original.

Em resumo, uma grande estreia para Saul a solo. No último episódio, James McGill tomou uma das decisões mais importantes no que toca ao seu futuro. Agora, espero ansiosamente pela segunda temporada, que estreia em 2016.

Better Call Saul

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Momento Clave de Sol: AZEITONAS - "Serviço Ocasional" (CD/DVD)

Quase um ano e meio depois do concerto no Coliseu do Porto, eis que "Serviço Ocasional" da banda portuguesa Azeitonas chega à paragem final. Ou melhor dizendo, às estantes para venda nas grandes superfícies comerciais.

O CD + DVD foi gravado ao vivo no concerto de 02 de Novembro de 2013, na sala mítica portuense e perante casa cheia, completamente esgotada.

Os Azeitonas - AZ formaram-se em 2002 e são atualmente constituídos por Marlon na voz, Nena nos coros, Miguel AJ (Araújo) na guitarra e Salsa no piano proporcionam aproximadamente 130 minutos de música portuguesa de qualidade e que fica no ouvido a cada compasso.

Em cima de palco, para além de banda principal, há um conjunto de músicos que tem notas, compassos e instrumentos no sangue. Desde um baterista incansável até um grupo de sopro cheio de energia e boa disposição, passando pelo baixista e pelo (maravilhoso) percussionista Megre Beça, cheio de sabedoria.

A banda arranca num "Pander" cheio de vivacidade e convida-nos a entrar no "Café Hollywood" para uma curta paragem. Dizem-nos que "Whatever, Tanto Faz" mas levam-nos até à infância e relembram-nos que "Nos Desenhos Animados (Nunca acaba mal)".

Caso haja alguma dúvida (e de nortenhos que são), obrigam o ouvinte/espetador a confirmar que "Lisboa Não é Hollywood" numa música cheia de power e, com uma interpretação incrível, perguntam se alguém quer ir com eles "ver os Aviões".

Mas, se não quiser ir, não faz mal. Não precisa de ficar "Tonto de Ti" e perguntar "Quem és tu Miúda". Sim, essa miúda que dança ao som de "Ray-Dee-Oh". A frase mágica para que isso aconteça é dizer "Dança Menina, Dança" enquanto acompanha a batida e abana o esqueleto. É impossível ficar parado.

Com a presença de convidados que se integraram no concerto de uma forma tão fluída que quase não se notava a sua presença, eis que - com a ajuda da Fanfarra Kaustika - surge uma reprodução única (que, provavelmente, não se tornará a repetir pela complexidade musical que envolve) de "Circo Zen". O hino da vida de um artista circense ou da vida de qualquer um de nós é o fecho de um concerto que, para quem esteve presente, teve tudo de especial e memorável.

Mas não há motivo para preocupações. Há sempre um "Na Na Na" para entoar na "Rua da Alegria" ou na Rua Passos Manuel quase até à Avenida dos Aliados, numa marcha liderada pela banda.

Feito o balanço, há que afirmar: a eternização deste concerto é importante para Os Azeitonas, que têm feito um sem grandes sobressaltos e com pouca divulgação inicialmente (quando comparada com outros artistas), e para os fãs, que mereciam um documento comprovativo da qualidade que o grupo possui.

Há boa música portuguesa, cantada em português. Os Azeitonas são exemplo disso e arrastam multidões. Conta também com um grupo de fãs (Os Azeitolas) que acompanha a banda, de Bragança até Faro, percorrendo muitos quilómetros para ouvir estas e outras músicas, como "Rubi", "Salão América", "Mulheres Nuas", entre outras. É caso para dizer que é de "Angelus".

domingo, 8 de março de 2015

Momento Pipoca: As Cinquenta Sombras de Grey

12:26 Posted by Maria João*** , , No comments

O título de uma notícia do portal Sapo é o mote para este momento de reflexão. «Mais de 47 mil portugueses já compraram bilhete para ver As 50 Sombras de Grey».
O filme de Sam Taylor-Johnson é a adaptação cinematográfica do primeiro volume da trilogia erótica e de sucesso mundial da britânica E.L James.

Como espetadores de outros filmes fortes do género (como "Ninfomaníaca", de Lars Von Trier), e tendo em conta o facto de nenhum de nós ter lido o livro, eu e o Fábio Silva fomos ao cinema na passada quarta-feira. Entramos de mente aberta e cheia de imparcialidade para analisar, com todos os prós e contras, o enredo e a realização.
Apesar disso, reconheço que a fasquia (depois da visualização da maioria dos nomeados aos Óscares) ia demasiado elevada e era difícil conseguir igualar tudo o que tenho visto nos últimos tempos.

As minhas piores previsões confirmaram-se: o filme é bem pior do que julgava ser e, no fim, considerei que o preço do bilhete foi mal empregue!

1 - Os diálogos do filme são medonhos, talvez para se manterem fiéis à escrita de E. L. James. Podem ser comparados com um diálogo entre crianças de 3 anos, na creche, falando sobre brinquedos. Mas bem pior.

2 - O enredo e a rapidez com que tudo decorre dificilmente teria tradução na vida real. Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante de Literatura Inglesa que, a pedido da sua companheira de casa, vai entrevistar o multimilionário e arrogante Christian Grey (Jamie Dornan). Em quatro dias, conhecem-se, ela perde a virgindade, ele controla-a e ela é a cobaia para as experiências fetichistas de Grey.

3 - As representações de Dakota e Jamie são pouco naturais, monótonas, fracamente expressivas e demasiado forçadas. Nada flui e o diálogo mecânico (tal como cenas em que Anastasia Steele entra no escritório de Grey com um trambolhão) contribuem para um filme demasiado "sem sal".

4- O filme é bipolar, tal como as suas personagens. Anastasia Steel, demasiado púdica em alguns momentos e adotando uma atitude de miúda pacata, passa para uma atitude de curiosidade perante os fetiches de Grey, colocando-os em prática por vontade própria. Depois, termina com um ar sonso e questionando/culpando-se (e a Christian Grey) pelos jogos sexuais em que participa.
Já ele é um homem que se descreve com uma frase de pura poesia «Eu não faço amor, eu fodo a sério» e que defende, para bem de si próprio, que não é romântico, não vai ao cinema nem janta fora. Mas, depois, demonstra a sua faceta de possessivo e controlador (com intervalos de romantismo) e vai buscar Anastasia Steele de helicóptero para um passeio, envia primeiras edições de livros, oferece-lhe um automóvel e um computador...

5 - Tanta coisa em volta dos atores que iriam representar estas personagens... Ela fica muito aquém das expetativas e confessou agora, em entrevista ao jornal "El Pais", que não é o seu corpo que surge em todas as cenas, sendo que a produção terá usado uma dupla de corpo. Ele não é nada de especial, tanto a nível facial como do restante corpo. Nem tem um ar de bad boy (ou, pelo menos, de homem misterioso) que era preciso para o filme. Mais a mais: ele tem um olho mais pequeno que outro, o que não é nada sensual.

5 - Quem esperou pelas cenas de sexo e sadomasoquismo pode esquecer qualquer idealização... É tudo demasiado soft, com poucos objetos, poucas cenas fortes, sem corpo à mostra. Quem esperava ver órgãos sexuais, vai-se cansar de tanta espera; quem esperava intensidade, achará as cenas aborrecidas.

6 - Dakota, no papel de Anastasia, morde o lábio - ao longo dos primeiros minutos de filme - cerca de 18 vezes. Sensual? Não, forçado.

7 - Por fim (last, but not least), a história enaltece o abuso das mulheres. E não pensem que sou eu que sou demasiado conservadora... A atitude arrogante, machista e dominadora de Christian Grey - tal como a violência sexual que o mesmo utiliza -, preocupando-se apenas e só com o seu prazer e satisfação pessoal, mostra que o filme não defende, apesar dos tempos que correm e das publicidades alusivas, o fim da agressão psicológica e física. O filme foi banido das salas de cinema na Malásia e na Indonésia e, noutros países orientais, algumas cenas foram censuradas.

Os pontos positivos são poucos mas existem, a saber:
- a casa do Mr Grey é de fazer inveja a qualquer pessoa que anda a pensar em criar o seu cantinho;
- algumas cenas do filme, ainda que o objetivo não seja esse, conseguem ser cómicas, tornando o filme leve e arejado o suficiente para não se ter um derrame cerebral enquanto se visualiza o mesmo;
- a banda-sonora é qualquer coisa extraordinária. É, sem dúvida, o ponto forte do filme. Arranca com uma versão do “I Put a Spell on You” pela voz da Annie Lenox, envolve Beyoncé, um toque pop com Ellie Goulding e o seu “Love Me Like You Do”, e ainda nos dá “Earned it”, dos The Weekend.

Em resumo, muito marketing e pouca qualidade. Desilude-me a cultura portuguesa (e mundial, no fundo) que se rende a filmes com esta qualidade e deixa de lado (com muito pouca receita de bilheteira e muito menos blábláblá) extraordinárias obras como Boyhood, Teoria de Tudo, Jogo da Imitação ou, numa mesma área de abordagem, Ninfomaníaca (um filme com 5 horas e meia e muito mais história para contar, tanto a nível visual como sexual e dramático).

Nota ainda para a composição da sala de cinema nesta noite de quarta-feira: meia dúzia de casais (se tanto), em que a faixa etária já roçava ou ultrpassava os 40/50 anos e uns quantos grupos de mulheres - com uma faixa entre os 20 e os 40 - que se juntaram para ver o filme. Muitos suspiros e comentários durante a película, muitos cochichos, algumas gargalhadas.

50 Sombras de Grey

(apenas pela qualidade da banda-sonora e da fotografia)