sábado, 5 de setembro de 2015

Momento Pipoca: As Mil e Uma Noites – Volume 1, O Inquieto


Neste final de Verão, Miguel Gomes (Tabu - 2012 e Aquele Querido Mês de Agosto - 2008) traz-nos uma sátira a Portugal e um retrato do que têm sido os últimos anos neste país.

Através de uma mistura entre o documentário (com base em testemunhos verídicos e a partir da realidade recente) e a ficção (uma adaptação dos contos populares árabes de "As Mil e Uma Noites" narradas pela rainha Sherazade), o realizador traça a história de um país mergulhado na austeridade. Para isto, apresenta vários capítulos que abordam a temática do desemprego, a crise económica e a ebulição social (como a que abalou os Estaleiros de Viana) e as histórias (quase inacreditáveis) da vida nas aldeias portuguesas.

Gomes não esqueceu - nem podia - a chegada da Troika a Portugal e apresenta uma possibilidade sobre a forma como foram tomadas as decisões relacionadas com os cortes orçamentais e o défice.

O filme é realista, ambicioso e bem-disposto. É uma realidade e um retrato social sobre a vida de muitos portugueses, «desempregados de condição», a quem o País nega os direitos básicos e constitucionais de acesso a trabalho, à alimentação e a condições de sobrevivência. O humor aligeira as histórias apresentadas e é uma componente fundamental...

Mas há sempre um mas e, no caso do Volume 1, este deve-se a algum exagero. Primeiro, na dose de humor utilizada no episódio da Troika (que chega a roçar a brejeirice e a badalhoquice barata). Segundo, o exagero na ruralidade apresentada no capítulo do Galo (que quase classifica Portugal como um país de terceiro mundo e pouco citadino). Estes fatores - na minha opinião, completamente desnecessários - fazem com que se perca alguma da magia do filme e levam, por vezes, a esquecer a grande qualidade que o reveste.

A obra, com cerca de seis horas no total, foi acolhida com grandes elogios e premiada internacionalmente, como, por exemplo, no Festival de Cinema de Sidney. Em Portugal, estreou no Festival de Curtas em Vila do Conde.

A longa-metragem é uma coprodução entre Portugal, Espanha, França, Suiça e Alemanha e conta com nomes como Rogério Samora, Adriano Luz, Carloto Cotta, Gonçalo Waddington, Margarida Carpinteiro, entre outros.

A estreia foi garantida em cerca de 30 países, entre eles Grécia, Espanha, Reino Unido, Japão e Brasil. Em Portugal, a segunda parte do filme, "O Desolado", estreia a 24 de Setembro. O terceiro e último volume, "O Encantado", chega uma semana depois, a 1 de Outubro.

MIL E UMA NOITES
★★★★

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Momento Pipoca: As Vantagens de Ser Invisível (2012)


Belo.
Espetacular.
Arrebatador.

Depois de "Ghost World - Mundo Fantasma" e "Juno", "As Vantagens de Ser Invisível" ("The Perks of Being a Wallflower") é o terceiro filme coming-of-age produzido por  Lianne Halfon, Russell Smith e John Malkovich.

Desta vez, seguimos Charlie Kelmeckis (Logan Lerman) - um jovem introvertido, sem amigos e com um historial de problemas psicológicos -, que se prepara para o seu primeiro ano no Liceu. Além da família, a única companhia de Charlie provém das palavras que escreve no seu díário.

No início desta nova aventura académica, o jovem tem realmente dificuldade em relacionar-se com quem quer que seja, sendo alvo de chacota por vezes. Contudo, Charlie começa a estabelecer uma boa relação com o seu professor de inglês (Paul Rudd), que repara na sua inteligência e cultura. O rapaz conhece também dois finalistas - Sam (Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller) - e uma grande amizade nasce entre os três.

Baseado no livro de Stephen Chbosky, que, aqui, ocupa também a posição de argumentista/realizador, "Perks" retrata a luta destes jovens com os seus próprios demónios. Alguns dos temas debatidos, como a violência no namoro, a homossexualidade, o bullying, e a pedofilia, irrompem na história com um impacto impressionante. Aqui, parabéns a Chbosky e ao elenco por conseguirem criar personagens tão interessantes, com as quais nos podemos relacionar de alguma forma.

Recomendo, vivamente!

As Vantagens de Ser Invisível
★★★★★

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Momento Clave de Sol: MARÉS VIVAS # Noite 3


♫ ♪ A última noite de festival prometia, pelos nome do cartaz, ser a melhor. E as expetativas não sairam goradas...
Se os THE BLACK MAMBA não eram um nome tão sonante e atrativo, ANA MOURA já representa uma figura mais conhecida da praça!
Com um pôr-do-sol maravilhoso e com uma tarefa difícil (a de tornar o fado num estilo festivaleiro), a cantora interpretou músicas como "Búzios", "Leva-me aos fados" e, para a palminha de final de concerto, o "Desfado".
Houve ainda tempo para uma inclusão de Amália Rodrigues (com o tema "Valentim") e uma passagem por Rolling Stones - com quem Moura já fez dueto.
Uma artista portuguesa com certeza!

♫ ♪ Depois dos artistas portugueses, seguiu-se o «animal de palco» Mr. JAMIE CULLUM. O «pequenote» já é figura habitual por terras lusas e pelos festivais portugueses. Os seus espetáculos marcam, inevitavelmente, quem os vê!
Um autêntico homem dos sete instrumentos, Cullum mostrou que o que lhe falta em altura lhe sobra em sensibilidade musical e em energia.
Apesar de o tempo curto ter impedido Jamie e os seus músicos de terem brilhado ainda mais, para além dos sucessos que o tornaram mundialmente conhecido, houve ainda tempo para uma reinterpretação de Snoop Dog e de "Thing" de Amerie.
E se "Mixtape" já é uma bomba em qualquer youtube, rádio ou spotify, ao vivo a música ainda um tom mais especial... e apetece tocá-la em loop e dançar na praia até o sol nascer!

♫ ♪ A grande faixa de festivaleiros entusiasmados eram fãs dos THE SCRIPT. Os irlandeses tiveram um grupo de seguidores portugueses em peso no Marés Vivas.
E, não obstante não serem o nome com mais força nem cujas músicas eram, para mim, as mais conhecidas, a banda deu um grande concerto e mostrou porque foram confirmados para o festival nortenho logo após o concerto de 01 de Abril no MEO Arena.
Desde o início apoteótico até ao último acorde, os sons mais familiares levaram o público a um estado a roçar o histérico.
Com "The Man who can't be moved" "Breakeven", "Superheroes" ou "For the first time", Danny O'Donoghue e os seus rapazes provam que o estilo comercial que aparentam facilmente é testado e aprovado em cima de palco...
... ou fora dele, uma vez que o vocalista dos The Script fez do público da bancada patrocinada pela CGD o cenário de uma parte do espetáculo!
E, a comprovar pela agenda (depois do norte de Portugal, os irlandeses passarão pela Hungria, Osaka, Áustria, Reino Unido e Alemanha), a banda vai continuar a estar na "Hall of Fame". E o público lamentou quando tudo acabou. Como cantam os THE SCRIPT, "together We Cry" pelo fim do concerto e, automaticamente, pelo fim do festival.

sábado, 25 de julho de 2015

Momento Clave de Sol: MARÉS VIVAS # Noite 2


♫ ♪ Que me perdoem a sinceridade mas o concerto da KIKA foi a melhor altura para invadir a área da restauração (tal qual campo de batalha, em busca da melhor fatia de pizza ou da melhor bifana).
Se a música "Guess it's all right" traz uma boa vibe, a jovem portuense não demonstrou boa comunicação com o público nem técnicas para cativá-lo. Não obstante as tentativas em apresentar as músicas ou falar um pouco delas, houve um afastamento evidente entre a cantora e os presentes.

♫ ♪ O filho do norte MIGUEL ARAÚJO cumpriu muito bem o papel de antecipar Lenny Kravitz e de agarrar o público do primeiro ao último acorde.
Com direito a um pedido de casamento durante a música "Balada Astral", o guitarrista e letrista de Os Azeitonas provou que é possível dar um concerto intimista num festival.
Com um cenário mítico e que já constitui uma marca do Marés Vivas (o rio, o espaço envolvente, a temperatura), faltou tempo para a inclusão de músicas como "Contamina-me" ou "Autopsicodiagnose" ... mas houve espaço para uma versão de "O Pica do 7" (cantada por António Zambujo mas da autoria de Miguel Araújo).
O concerto terminou com o público a cantar, em uníssono, "Os maridos das outras".

♫ ♪ Na segunda noite de festival, as expetativas estavam altas para o concerto de LENNY KRAVITZ... mas parece que o artista nova iorquino se esqueceu de vir a Portugal e a Vila Nova de Gaia nos primeiros minutos de concerto!
A estrela não foi Lenny mas os (grandes) músicos da sua banda.
A certa altura, o espetáculo parecia um circo! Kravitz dava o nome e o mote mas o brilhantismo partia da baterista, do guitarrista e dos restantes membros em palco.
Para além disso, alguns temas consistiram em versões alargadas que cansaram os ouvidos até dos mais resistentes...
Ainda assim (e já mais perto do final do concerto), o ator de The Hunger Games chegou ao Cabedelo (tendo aumentado a sua interação com o público) e interpretou temas míticos como "Fly Away" e "Are You Gonna Go My Way".
Faltaram as mais recentes "The Chamber" ou "New York City": não tão conhecidas mas mais comerciais e com grande batida para festivais.

♫ ♪ A noite terminou com todos os festivaleiros a tirar o pé do chão e a acordar as duas margens do rio.
Os BURAKA SOM SISTEMA subiram ao palco já era madrugada e usaram "Vuvuzelas" para que os presentes e Vila Nova de Gaia ficasse "(Stay) Up all night".
Com uma Blaya imparável em cima de palco, "Sound of Kuduro" mostrou que a banda portuguesa está "Aqui pra vocês".
Com "Wawaba", não houve quem não ficasse "Hangover" pela noite dentro!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Momento Clave de Sol: MARÉS VIVAS # Noite 1


♫ ♪ A primeira noite do festival Marés Vivas começou com uma banda portuguesa. Os BLIND ZERO foram os anfitriões de um dia que teria muito a revelar.
O grupo nortenho começou a aquecer a noite com o tema "Snow Girl"; seguiu-se uma música dedicada a Nick Cave (intérprete que, recentemente, perdeu o filho de 15 anos).
Depois, "Back to the fire" do álbum Luna Park relembrou o tempo em que o grupo uma longa paragem e regressou depois aos palcos.
A banda teve ainda tempo para (re)interpretar "Wrecking Ball" de Miley Cyrus e "Shine On" levou o público ao rubro.
Um Miguel Guedes cheio de energia e uma guitarra irrepreensível provaram que os Blind Zero estão ainda para as curvas e que os anos de carreira são apenas «bilhete de identidade».
Para terminar, seguiu-se "Recognize" - uma música «do tempo dos dinossauros» - e "Slow Time Love" para fechar a noite.

♫ ♪ JOHN NEWMAN foi a grande surpresa da noite. Com um espetáculo em moldes idênticos a Robbie Williams e passos de dança a roçar Michael Jackson, o artista britânico mostrou que se pode «construir» um personagem e fazê-lo valer em cima do palco.
Os maiores êxitos, conhecidos do grande público - como "Love Me Again" e "Losing Sleep" - fizeram vibrar e tirar o pé do chão.
Faltou mais tempo de concerto para Newman mostrar o que vale... até porque provas não faltam: foi nomeado para três Brit Awards em 2014, incluindo o British Male Solo Artist. Só em Fevereiro de 2014, John Newman vendeu 1.3 milhões de cópias só no Reino Unido.

♫ ♪ Com o recinto sem espaço para uma formiga, Gaia preparou-se para receber JOHN LEGEND. A noite estava a cair e era muito grande a expetativa em torno do músico americano.
Com um espetáculo melódico e com muitas baladas, "Ordinary People" (tema que o lançou para o estrelato) e a mais recente "All of Me" foram dos grandes momentos do espetáculo.
"Glory" (Óscar de Melhor Canção Original, no filme Selma) fechou o concerto.
No fim, ficou a sensação de que Legend poderia ter feito muito mais e bem melhor, quando estava conotado como cabeça-de-cartaz do primeiro dia e um dos nomes fortes do festival.

♫ ♪ Num dia que tinha sido de trabalho, o cansaço e o gosto musical não permitiram assistir ao concerto de RICHIE CAMPBELL. O intérprete de "Best Friend" e "That's how we roll" fechou a primeira noite do Festival Marés Vivas.