segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Momento Clave de Sol: BOSS AC - "A carta que eu nunca te escrevi"

16:16 Posted by Maria João*** No comments
« Desde o começo, não sei quem és, no fundo não te conheço
Se calhar sou o culpado, se calhar até mereço
Quis confiar em ti mas não deixaste, tu não quiseste
Imagino as coisas que tu nunca me disseste
Ás vezes queria ser mosca e voar por aí, pousar em ti
Ouvir o que nunca ouvi, ver o que nunca vi, nem conheci
Saber se pensas em mim quando não estás comigo
Será que és minha amiga como eu sou teu amigo?
Será que falas mal de mim nas minhas costas?
Há coisas em ti que tu não mostras ou já não gostas?
Quantas vezes te pedi para seres sincera, quem me dera
Imagino tanta coisa enquanto estou á tua espera
Apostei tudo o que tinha saí a perder, sem perceber
Surpreendido porque quem pensei conhecer
Sem confiança a relação não resiste, o amor não existe
Quando mentiste, não fiquei zangado mas triste

Não peço nada em troca, apenas quero sinceridade
Por mais crua e difícil que seja, venha a verdade
Será que me enganas? Será que chamas a outro o que me chamas?
Será que é verdade quando me dizes que me amas?
Será que alguém te toca em segredo? Será que é medo?
Será que para ti não passo de mais um brinquedo?
Será que exagero? Será que não passa de imaginação?
Será que é o meu nome que tens gravado no coração? Ou não?
Eu sou a merda que vês mas ao menos sabes quem sou
E sabes que tudo o que tenho é tudo aquilo que te dou
Nunca te prometi mais do que podia
Prefiro encarar a realidade a viver na fantasia

Também te magoei mas nunca foi essa a intenção
E acredita que ver-te infeliz partiu-me o coração
Mas errar é humano e eu dou o braço a torcer
Reconheço os meus erros e sei que já te fiz sofrer
Porquê que não me olhas nos olhos quando pedes perdão?
Será por saberes que neles vejo o reflexo do teu coração?
E os olhos não mentem quando a boca o faz
E se ainda não me conheces então nunca conhecerás
Serás capaz de fazer o que te peço?
Desculpa-me ser mal educado quando stresso
Assim me expresso, sou frio e praguejo em excesso
Se conseguíssemos dialogar já seria um progresso
A chama enfraquece sinto que está a morrer aos poucos
Porquê que é assim? Será que estamos a ficar loucos?
Acho que nunca soubeste o quanto gostei de ti
Esta é a carta que eu nunca te escrevi »

BOSS AC - In: A carta que eu nunca te escrevi

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Devaneio por MARIA JOÃO: É duro

20:14 Posted by Maria João*** No comments
É duro quando perdemos alguém. Ainda é mais duro quando perdemos alguém que gostamos... Por vezes, pensamos e agimos como se estivéssemos no mundo de passagem. Algo que não podia ser mais errado: estamos neste mundo, temos uma função e devemos cultivar o que nos faz bem. Como os amigos por exemplo.
E não, amigos não são aqueles conhecidos que vos ligam de vez em quando para tomar um café. Amigo não é aquele que só sai numa noite qualquer para uma discoteca. Amigo é alguém que caminha ao nosso lado, que compartilha alegrias e que liga ou manda mensagem nos dias de tristeza e insiste em ficar do nosso lado, mesmo quando temos a certeza de que não somos boa companhia. Amigo é alguém que se orgulha do nosso percurso, não só das vitórias mas também dos obstáculos que ultrapassamos, com a ajuda desse ser que permanece do nosso lado, dando algo que a vida tem de precioso: uma amizade.
E amizade não é aquela que está dependente de horários. Amizade é algo sem futilidades, sem rodeios, cheia de vida e humildade. Assim se vê uma verdadeira amizade.
E quando se magoa esse amigo? O tal amigo? O melhor a fazer é reconhecer os erros e tentar recompor a asneira feita. Não tentar apagar, mas tentar recuperar a confiança e sinceridade perdida. E o que mais custa é quando, mesmo depois do máximo de esforços feitos, não se consegue ter o sorriso desse amigo de volta. Esse sorriso que já curou tantas feridas. Tantas mágoas. Tantas dores.
Há pessoas que passam na nossa vida. Há pessoas que ficam apenas. E há pessoas que marcam. E devemos lutar por quem gostamos para que permaneçam na nossa vida e nos marquem. E devemos fazer com que nós também fiquemos marcados nas vidas das pessoas.
Erros todos cometemos. Somos humanos, é certo. Mas devemos ser humanos o suficiente para saber admitir de quem gostamos, quem nos faz feliz, quem nos faz falta. E tu, meu amigo, meu precioso amigo, meu melhor amigo, fazes-me muita falta. Falta demais para te ver partir sentindo-me inútil. Prometi fazer o que estava ao meu alcance para não te deixar ir.
Agarra-me a mão. Isso. Com força. Deixa-me abraçar-te. E dizer-te que estou aqui, como antes. Como sempre. E para sempre talvez.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Devaneio por MARIA JOÃO VIEIRA: Hoje preciso

20:13 Posted by Maria João*** No comments
Hoje preciso de ti. Preciso de ti mais do que precisei. Preciso de um abraço. Um simples abraço, que tanto significa. Preciso de sentir que vales mais do que me mostras. Que és mais do que um número na minha agenda telefónica, por onde o meu dedo teima em ficar... Preciso de sentir o teu calor, a tua presença, mais do que quando olho para os presentes que me deste e teimam em ficar na estante, mesmo nos dias mais difíceis.
Às vezes penso em partir tudo, em rasgar as fotos, em queimar os presentes. Mas sou fraca para isso. Talvez não seja eu que seja fraca. Talvez o meu amor por ti seja demasiado forte para o fazer. Sei que me arrependeria, até porque as melhores prendas são as memórias guardadas no coração, que nenhum aspirador pode limpar, que nenhuma borracha pode apagar.
PRECISO. De ti. E preciso muito. Preciso do teu abraço, dos teus mimos, do teu carinho, de sentir que sou importante. Preciso de te ouvir dizer que queres ficar comigo. E preciso de sentir que é verdadeiro, que o vai ser mesmo quando tiver uns quilos a mais, umas rugas na face, quando for uma velha idiota, chata, diabética.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Devaneio por JOSÉ LUÍS PEIXOTO

15:59 Posted by Maria João*** No comments

«As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.
Havemos de engordar juntos.»


José Luís Peixoto, in: Amor Burguês

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Devaneio por MARIA JOÃO VIEIRA: Eu não sou...

15:23 Posted by Maria João*** No comments
Sei que não sou perfeita. Sei bem que estou muito longe disso. Mas todo o ser humano foi feito com imperfeições, defeitos, vícios, virtudes. A perfeição não faz sentido em seres que foram feitos para serem aperfeiçoados ao longo da vida. Como diria William Somerset Maugham, «A perfeição tem um grave defeito: tende a ser enfadonha», ou seja, até a perfeição tem incorrecções.
A ideia de Fernando Pessoa, resume tudo o que foi dito aqui até agora: «Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugná-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é o desumano, porque o humano é imperfeito.»
Nunca quis ser perfeita, até porque sei que não a posso alcançar. O mais que posso fazer é aproximar-me dela. Mas nem por isso deixo de por o máximo de mim em tudo o que faço.

Quanto ao que pensam de mim? Tenho defeitos, sim. Muitos diga-se. Mas gosto de pensar que os meus defeitos são uma forma de me diferenciar de todos os restantes habitantes deste planeta. Até posso acabar o dia com mau-feitio, mas acordo sempre com um sorriso, à espera de que o dia seja risonho e feliz, o mais possível. O meu abraço pode não ser o mais apertadinho, mas é sincero. Sempre. Posso não beijar bem, mas quando o faço é sentido. Posso não vestir bem, mas uso aquilo com que me sinto bem e confortável. Não tenho os dentes alinhadinhos nem uso aparelho, mas sei que um sorriso na hora certa conforta pessoas e move o mundo. Posso ser insegura, mas sei que é uma marca de mágoa do passado que ninguém apagará, por muito que o presente valha a pena. Posso até ser ciumenta, mas sempre ouvi dizer que quem gosta tem medo de perder. Posso não ter muito para dar (principalmente a ti, que ocupas o meu coração), mas sei que tenho o mais precioso de mim: um amor incondicional, verdadeiro, fiel e amigo, que poderia mover o mundo e ultrapassar barreiras.
Parece que a minha perfeição imperfeita não chega para ti. Fica-me, pelo menos, a satisfação da minha genuinidade que ninguém pode mudar e que vale por todas as falsidades deste mundo, onde cada vez mais se fazem as vontades aos outros ou em que as pessoas se tornam máquinas do que os outros querem que elas sejam.
Eu não sou um pacote de uma massa instantânea, em que se mistura leite ou água e vai ao forno, ficando igual a tantos outros produtos, que se adquirem num supermercado qualquer. Eu sou alguém, com sentimentos, mágoas, desejos, sonhos, virtudes e defeitos. Parte de ti escolheres os ingredientes que misturas. Convém serem os certos. O bolo pode crescer. Mas também pode ficar tão intragável que tens de deitar fora e esquecer que alguma vez o fizeste.