segunda-feira, 11 de maio de 2015

Momento Bússola: Escapadela Romântica até Lindoso

# DIA 01



Partimos do Porto com direção ao Parque Nacional Peneda-Gerês. Uma vez que somos defensores de estradas nacionais, fizemos a viagem por vias secundárias. A primeira paragem foi em Braga, onde almoçamos.
Na cidade dos arcebispos, confirmaram-se as nossas suspeitas (verificadas na primeira viagem ao Gerês): as estradas são terríveis e os condutores malucos...
Motivados talvez pela complicação dos acessos, não fossem os iogurtes "Longa Vida" que estavam na mala do carro, íamos sendo trucidados sem chegar sequer ao destino principal.
Continuando o percurso, a paragem seguinte foi Ponte da Barca. Um município pequeno e bastante pacato, onde o Lima se alcança.
Chegados a Lindoso, iniciou-se a busca pelo nosso lar, por entre estradas minúsculas, sem movimento aparente.
A boa notícia: a nossa «casa» era espetacular, inserida num conjunto de casas típicas. CASA DO CHARCO: um pequeno T1 cheio de boas energias e um espaço muito agradável para se estar, descansar e namorar.

# DIA 02



Infelizmente, as condições meteorológicas foram as grandes traidoras neste fim-de-semana prolongado. A sexta-feira iniciou-se cinzenta e com chuva a cair em doses consideráveis, que impediam qualquer passeio ou descoberta de maior dimensão...
Por isso, decidiu-se que este dia seria passado em modo de sessão de cinema caseiro. Se na noite de quinta o filme tinha sido "Tempestade Tropical" (uma comédia com Ben Stiler, Jack Black e Tom Cruise, entre outros), na tarde de sexta o filme foi mais dramático e pesado. "Nifomaníaca" - versão de realizador de 5h30 - foi a película escolhida para acompanhar o mau tempo.
Ainda antes da sessão de cinema e antes do almoço - quando a chuva acalmou - foi tempo de dar um passeio por Parada, em Lindoso, onde estávamos instalados. Por lá, descobrimos casas de pedra, ruas estreitas e espigueiros, juntamente com quedas de água.

# DIA 03



O início do fim-de-semana revelou-se uma verdadeira surpresa. Se na sexta não tinha sido possível usufruir das maravilhas do norte de Portugal, o sábado foi um teste à resistência, tanto à boa forma física como ao calor...
De manhã, encontramos uma paisagem de cortar a respiração, mesmo ao pé da casa onde estávamos instalados. A Poça da Gola merecia um mergulho, mas a coragem e o biquíni ficaram em casa!
A meio da manhã, foi hora de rumar a terras de «nuestros hermanos», com destino a Ourense. Ainda em Portugal, subimos ao Castelo de Lindoso e visitamos a Barragem do Lindoso.
Já em Espanha, paragem em Lobios e nas suas termas naturais, ao ar livre. Uma maravilha, autêntica e a dar imensa vontade de voltar.
Em Ourense, o calor foi traiçoeiro e a descoberta das suas pontas e zona histórica tornou-se dificultada. Mas não há tarefas impossíveis para Fábio e Maria. A pé, vimos tudo o que era possível, com muitas gargalhadas e fotografias à mistura!
À noite, depois do jantar (e quando o cansaço dava um ar de sua graça), o sofá foi o melhor aconchego e "Masterchef" o programa escolhido para acabar o dia.

# DIA 04



Infelizmente, tudo o que é bom acaba rápido. Parece cliché... mas tanto ansiamos por estes dias e eles passaram a voar.
Ainda assim, fizemos questão de aproveitar ao máximo todos os momentos, para namorar e descobrir mais deste Portugal verdejante e montanhoso.
A hora de almoço de domingo era a nossa despedida, não sem antes jogar umas partidas de Uno e rir sem parar...
A caminho do Porto, a paragem inicial foi numa albufeira de cortar a respiração, seguida de Arcos de Valdevez, onde a praia fluvial e o Rio Vez roubaram a nossa atenção e a memória do telemóvel para tantas fotografias.
Apesar da tentativa, a quantidade de veículos automóveis estacionados junto ao rio em Ponte de Lima assustou-nos e obrigou-nos a seguir viagem.
Depois de uma breve paragem numa pastelaria na estrada nacional em direção a Braga, depressa se chegou ao Porto, com a sensação de dever cumprido no que diz respeito ao aproveitamento dos dias mas com o coração apertadinho por estas férias terminarem.

domingo, 3 de maio de 2015

Momento Pipoca: Capitão Falcão


Ontem, foi dia de cinema. A noite foi passada no Parque Nascente e teve direito a sessão bem portuguesa.

"Capitão Falcão" é o super-herói que vai salvar o país dos comunistas («a ameaça vermelha») e das feministas («porque não há nada pior do que uma mulher que pensa que é um homem»).

Gonçalo Waddington interpreta o protagonista da história (que tem traços de machista e pai autoritário) e cujo mestre foi o Capitão Gaivota (interpretado por Miguel Guilherme).

Herói do país e do regime salazarista português, Falcão, o ultra-patriótico lusitano, tem como grande apoio o "Puto Perdiz" - o seu (mudo e) fiel companheiro de aventuras.

Os "Capitães de Abril" (com uma apresentação semelhante aos Power Rangers) são os vilões do filme, levados por uma revolta e ódio a Falcão. Apenas este herói (se as lutas e o comunismo não lhe trocarem as voltas) poderá impedir o plano malvado deste grupo. Ao serviço do Estado Novo, o Capitão combate todas as ameaças à Nação, respondendo apenas a António de Oliveira Salazar, a figura maior do Governo da época.

Com uma dose de humor q.b., o filme é divertido e inteligente, contribuindo para um serão bem passado.

Classificado como comédia, ação e sátira, "Capitão Falcão" é um filme arrojado e provocador, que faz rir e não toma o público por estúpido, uma vez que dá leveza à história e à sua contextualização. Durante os 106 minutos de filme, para além da guerra contra os "comuninjas", há alusões a D. Afonso Henriques e a Major Alvega.

E atenção! Após os créditos - imitando a Marvel - e depois de cantarem em uníssono com o vosso par o "E Depois do Adeus", há cena que introduz uma possível sequela... É apresentado o Flamingo, enquanto o mesmo pinta as unhas.

Infelizmente, a falta de espetadores tem vindo a reduzir o número de salas com sessões do filme, pelo que na página oficial já foi solicitado a todos que se desloquem ao cinema para ver esta película. Citando a página oficial no Facebook, «está agora em 52 salas de cinema. Não irá ficar em sala muito tempo, por isso aproveitem se quiserem ver portugueses a sério a lutar».

Para permitirem a sequela e não deixarem ficar mal um filme português, visitem a sala de cinema mais próxima e, em vez de darem tanto sucesso a 50 Sombras de Grey ou a um qualquer envolvendo um romance do Nicholas Sparks, combatam a «ameaça vermelha», aliando-se ao Capitão Falcão.

Capitão Falcão
★★★★

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Momento Pipoca: Crónica (2012)


Há uns dias, fui ao shopping com a MJ e, na secção dos DVD, encontrei um filme a que assistira há bastante tempo: "Crónica" (título original: "Chronicle"). Lembrei-me do quanto esta obra me surpreendera da primeira vez que a vira e decidi trazer o disco comigo.

Em "Crónica", seguimos três rapazes que, durante uma festa, descobrem um buraco no solo onde se encontra um objeto nunca antes visto. Esta descoberta transforma os jovens, dando-lhes poderes telecinéticos . Ao longo da história, vemos o desenvolvimento destas habilidades, desde momentos mais simples, de brincadeira, até ao seu uso indevido e mortal.

O filme é apresentado como found footage (vídeos descobertos), bem ao género de "Cloverfield" e "Actividade Paranormal", o que poderia afetar a credibilidade na qualidade do filme. Contudo, "Crónica" transcende as convenções do género, desde as interpretações aos efeitos (bastante bons para um orçamento "reduzido", de 12 milhões de dólares). No entanto, esta escolha em contar a história como um documentário gravado pelo próprio protagonista limita o seu desenvolvimento. Nunca ficamos a saber o que é o tal objeto soterrado, por exemplo.

Os três atores trazem prestações fortes, onde se destaca Dane DeHaan ("Kill Your Darlings" e "O Fantástico Homem-Aranha 2"), como Andrew Detmer. DeHaan traz várias camadas a este rapaz tímido, sem amigos, violentado em casa e na escola, e com uma fúria crescente no seu interior. A ele, juntam-se as personagens de Michael B. Jordan (Steve Montgomery) e de Alex Russell (Matt Garetty).

"Crónica" é a estreia de Josh Trank no comando de uma longa-metragem. Antes disso, havia realizado alguns episódios para a série "The Kill Point". A sua realização é inteligente, quebrando os limites do found footage através de algumas ideias que inovam a forma como olhamos para o género (uma personagem usar a mente para levitar a câmara e obter planos mais grandiosos é uma delas). Sem dúvida que este filme pesou imenso quando a 20th Century Fox escolheu Trank para realizar o novo "Quarteto Fantástico", que estreia este verão.

Crónica
★★★★

sábado, 11 de abril de 2015

Momento Pipoca: Better Call Saul


Eis que chegou ao fim uma das séries mais aguardadas do ano. "Better Call Saul" (BCS) é um spin-off de "Breaking Bad" (BB), considerada uma das melhores histórias que alguma vez surgiram no pequeno ecrã.

A trama de BCS decorre seis anos antes dos eventos de BB. Aqui, seguimos o percurso de Saul Goodman, uma das mais conhecidas personagens da série original, desde que era conhecido como James McGill, um advogado à procura do seu rumo e com a vida dividida entre pequenos trabalhos no tribunal - que muito pouco rendem - e cuidar do seu irmão mais velho, Chuck.

A primeira temporada acompanha o caminho de James enquanto este, no decorrer dos episódios, se vai tornando mais confiante e perspicaz face ao mundo que o rodeia. Claro que tal não acontece sem momentos mais problemáticos, que envolvem gangues, subornos e a rivalidade com a Hamlin, Hamlin & McGill - uma grande sociedade de advogados, da qual Chuck é um dos principais membros.

Quem assistiu a BB sabe quem é Saul Goodman. Em BCS, assistimos, passo-a-passo, ao desmoronamento de McGill nesta nova identidade. Apesar da temporada não relatar todos os acontecimentos, já muito nos informa sobre o que realmente encaminhou James a adotar um rumo totalmente diferente. A melhor parte? Apesar do momento fulcral que destroça o advogado, é todo o conjunto de experiências de McGill que levam a uma mudança na sua atitude. Isto significa que todos os momentos são importantes. Saul Goodman não é o resultado de um momento, mas sim de vários.

A série não tem o mesmo tom de BB, cingindo-se mais ao humor negro. No entanto, isso não é negativo. Bem pelo contrário! Bob Odenkirk continua perfeito neste papel. É carismático, tem personalidade e sentido de humor. Se já era um prazer vê-lo no seu lado mais negro (como Saul Goodman), assistir à sua metamorfose - de alguém que quer seguir o caminho certo, para orgulhar o irmão, num ser cujo o "Eu" só importa - é delicioso.

Além de Odenkirk, regressa Jonathan Banks como Mike Ehrmantraut - outra grande personagem de BB. Apesar de já não ser nenhum "santo" no decorrer de "Better Call Saul", ficamos a conhecer melhor quem é Mike e como se transformou no grande solucionador de problemas da série original.

Em resumo, uma grande estreia para Saul a solo. No último episódio, James McGill tomou uma das decisões mais importantes no que toca ao seu futuro. Agora, espero ansiosamente pela segunda temporada, que estreia em 2016.

Better Call Saul

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Momento Clave de Sol: AZEITONAS - "Serviço Ocasional" (CD/DVD)

Quase um ano e meio depois do concerto no Coliseu do Porto, eis que "Serviço Ocasional" da banda portuguesa Azeitonas chega à paragem final. Ou melhor dizendo, às estantes para venda nas grandes superfícies comerciais.

O CD + DVD foi gravado ao vivo no concerto de 02 de Novembro de 2013, na sala mítica portuense e perante casa cheia, completamente esgotada.

Os Azeitonas - AZ formaram-se em 2002 e são atualmente constituídos por Marlon na voz, Nena nos coros, Miguel AJ (Araújo) na guitarra e Salsa no piano proporcionam aproximadamente 130 minutos de música portuguesa de qualidade e que fica no ouvido a cada compasso.

Em cima de palco, para além de banda principal, há um conjunto de músicos que tem notas, compassos e instrumentos no sangue. Desde um baterista incansável até um grupo de sopro cheio de energia e boa disposição, passando pelo baixista e pelo (maravilhoso) percussionista Megre Beça, cheio de sabedoria.

A banda arranca num "Pander" cheio de vivacidade e convida-nos a entrar no "Café Hollywood" para uma curta paragem. Dizem-nos que "Whatever, Tanto Faz" mas levam-nos até à infância e relembram-nos que "Nos Desenhos Animados (Nunca acaba mal)".

Caso haja alguma dúvida (e de nortenhos que são), obrigam o ouvinte/espetador a confirmar que "Lisboa Não é Hollywood" numa música cheia de power e, com uma interpretação incrível, perguntam se alguém quer ir com eles "ver os Aviões".

Mas, se não quiser ir, não faz mal. Não precisa de ficar "Tonto de Ti" e perguntar "Quem és tu Miúda". Sim, essa miúda que dança ao som de "Ray-Dee-Oh". A frase mágica para que isso aconteça é dizer "Dança Menina, Dança" enquanto acompanha a batida e abana o esqueleto. É impossível ficar parado.

Com a presença de convidados que se integraram no concerto de uma forma tão fluída que quase não se notava a sua presença, eis que - com a ajuda da Fanfarra Kaustika - surge uma reprodução única (que, provavelmente, não se tornará a repetir pela complexidade musical que envolve) de "Circo Zen". O hino da vida de um artista circense ou da vida de qualquer um de nós é o fecho de um concerto que, para quem esteve presente, teve tudo de especial e memorável.

Mas não há motivo para preocupações. Há sempre um "Na Na Na" para entoar na "Rua da Alegria" ou na Rua Passos Manuel quase até à Avenida dos Aliados, numa marcha liderada pela banda.

Feito o balanço, há que afirmar: a eternização deste concerto é importante para Os Azeitonas, que têm feito um sem grandes sobressaltos e com pouca divulgação inicialmente (quando comparada com outros artistas), e para os fãs, que mereciam um documento comprovativo da qualidade que o grupo possui.

Há boa música portuguesa, cantada em português. Os Azeitonas são exemplo disso e arrastam multidões. Conta também com um grupo de fãs (Os Azeitolas) que acompanha a banda, de Bragança até Faro, percorrendo muitos quilómetros para ouvir estas e outras músicas, como "Rubi", "Salão América", "Mulheres Nuas", entre outras. É caso para dizer que é de "Angelus".